sexta-feira, 13 de março de 2009

World Wide Web faz 20 anos

A WWW foi desenvolvida pelo britânico Tim Berners-Lee e outros cientistas do Centro de Física de Partículas Nucleares Europeu (CERN), na Suíça, e serviu inicialmente como um sistema que permitia que milhares de cientistas de todo o mundo se mantivessem em contacto permanente.
"Vago, mas empolgante!" foi a frase proferida pelo supervisor de Berners-Lee quando este lhe entregou um documento intitulado "Gerenciamento de informação: uma proposta", tendo-lhe dado autorização para que seguisse em frente com o projecto.
Robert Cailliau, que fazia parte da equipa de Berners-Lee, afirmou que "Havia algo no ar, algo que ia acontecer mais cedo ou mais tarde."
Criaram a linguagem global do hipertexto - o "http" dos endereços da web - e elaboraram o primeiro browser, muito parecido com o que ainda usamos hoje em dia.
"Tudo que as pessoas fazem hoje, blogs e comunidades e essas coisas, era o que fazíamos em 1990, não havia diferença. Foi assim que começámos.", acrescenta Cailliau.
A tecnologia da WWW foi disponibilizada para um uso mais amplo na internet a partir de 1991, após o CERN ter decidido não prosseguir com o seu desenvolvimento, tomando a decisão histórica, dois anos mais tarde, de não cobrar royalties pela sua criação.
Cailliau ainda se mostra maravilhado com o desenvolvimento de um meio que permite que o conhecimento seja expandido livremente, pois nunca imaginou que os mecanismos de busca ganhariam a importância que têm hoje em dia.
Mas o desenvolvimento comercial da rede também o preocupa.
"Há algumas coisas de que eu não gosto, como a invasão da propaganda. Há ainda o grande problema da identidade e, é claro, a confiança entre a pessoa que consulta e a pessoa que proporciona a página, assim como a protecção das crianças perante certos conteúdos", diz Cailliau.
Berners-Lee lidera hoje o World Wide Web Consortium, órgão que coordena o desenvolvimento da web. É também investigador do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, e professor de ciência da computação na Universidade de Southampton. Durante a Campus Party Brasil 2009 que se realizou em São Paulo no início do ano, Berners-Lee disse que, se pudesse mudar algo no seu projecto, removeria os "//" dos endereços da web. "Hoje sei que não servem para nada", disse, "e tirá-los economizaria tempo e espaço, mas para isso seria preciso redesenhar todo o sistema".

Redacção Terra

segunda-feira, 9 de março de 2009

Livros "Sem - Abrigo"

Um novo conceito de biblioteca em Sacavém
O artigo escrito pela jornalista Sandra Pinto na revista VISÃO desta semana dá-nos a conhecer um projecto inovador no âmbito da promoção da leitura.
« Sob o lema Ler por Sacavém, o projecto começou no passado dia 7, e conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Junta de Freguesia local.
É uma biblioteca ao ar livre, que dispensa tecto e funcionários e trabalha em regime de self-service. Dentro dos armários (duas estantes que fazem parte do mobiliário urbano) estão livros para crianças, jovens e adultos e, para os adquirir, apenas necessita de se deslocar ao local, fazer deslizar o vidro e seleccionar o título que deseja ler. Outra operação que se espera que complete o ritual é a sua devolução (ou a troca por outro livro), para que outros leitores possam usufruir do mesmo serviço.
Uma ideia simples que visa incentivar e promover os hábitos de leitura dos moradores desta localidade.»
A leitura deste artigo recordou-me a extraordinária intervenção de Galeno Amorim no Congresso Internacional de Promoção da Leitura que decorreu nos dias 22 e 23 de Janeiro e do qual dei aqui um modesto testemunho. Enquanto responsável pelo Observatório do Livro e da Leitura no Brasil, Galeno Amorim deu a conhecer as inúmeras acções que percorrem o país muitas das quais da iniciativa do cidadão comum. Entre as muitas que referiu - a biblioteca do açougue, a biblioteca do mercadinho, a biblioteca da oficina,... -, ficou na memória a Bibliojegue.
O facto de já terem percebido do que se trata não dispensa a leitura do texto abaixo que é inspirador.
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Jegues viram bibliotecas ambulantes
A professora de Português Alda Beraldo encontrou uma forma inusitada de incentivar, a adultos e crianças, o gosto pela leitura e pelo conhecimento. Nos últimos dois anos como formadora na área de educação, ela fez viagens mensais de trabalho para Alto Alegre do Pindaré, no interior do Maranhão. Quanto mais se aproximava do lugar, mais via jegues e babaçus na beira da estrada.
Certa vez, chegou a contar 180 jegues no percurso. Ficou impressionada com tantos animais dessa espécie carregando farinha, mandioca, produções, gente e compra de toda sorte. Foi então que surgiu a idéia: "Por que não carregar livros para a população, se o objetivo do meu trabalho é ensinar as crianças a ler, produzir textos e a se comunicar de forma competente?", pensou. Não demorou muito e nasceu, então, o Jegue Livro, apelidado pelos moradores de "bibliojegue".
Os cinco Jegues Livro do município saem, uma vez por semana, carregando jacás, alimentados por livros da Casa do Professor, um espaço criado em parceria com o Programa Escola que Vale, da Fundação Vale do Rio Doce, Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária e prefeitura da cidade.
O jegue é cedido pelas famílias dos estudantes do município ou dos povoados. Ele parte, geralmente, da porta da escola, conduzido por pais, diretores ou jovens do ensino médio. Param em algum local, em frente de uma casa ou à sombra de uma árvore e os livros são arrumados em uma lona, no chão.
"No início, algumas pessoas convidadas pelos diretores das escolas para participarem do projeto resistiram ao jegue, desvalorizando um patrimônio da cultura local. Depois que os jegues foram sendo lançados, com sucesso, o preconceito se dissipou. Houve um senhor que agradeceu à diretora por ter parado o jegue em frente à casa dele, onde sua neta, inclusive, fez algumas leituras. Nessas horas há até pais que descobrem que seus filhos sabem ler. E muitos, muito bem", conta a educadora.
Alto Alegre do Pindaré tem 32 mil habitantes e alta taxa de analfabetismo. O Jegue Livro vem, aos poucos, atraindo cada vez mais pessoas e encantando-as com o mundo das letras, histórias e fantasias. A biblioteca móvel tem, atualmente, cerca de três mil livros, revistas e informativos: dois mil comprados pelo Programa Escola que Vale e mil comprados pela prefeitura, fato comemorado por todos os moradores da cidade.
Para ela, o Jegue Livro ressignificou o sentido de ser educadora. Professora há 28 anos, ela afirma que aprendeu, com esse projeto, sobre a falta de recursos, o verdadeiro amor pelos livros e a tristeza por não poder comprá-los. "Mais do que estimular a educação e os valores por meio de grandes autores, aprendi muito sobre desigualdade social e, em especial, sobre a vida", emociona-se. Sobre o futuro? "Continuar eterna educadora".
Vanessa Nakasato
E por que não também nós mostrarmos o nosso empenho e criatividade num caminho que já outros iniciaram? E se, a par da BE, nascessem outras bibliotecas? No refeitório? Nas salas de alunos, funcionários, professores? E... no café? E, enquanto aguardamos e desesperamos, por que não no banco, no centro de saúde, ...?
Aqui fica um desafio à espera da vossa adesão! Basta acreditar e ousar!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Celebremos antes Homem e Mulher!

O Homem e a Mulher
O homem é a mais elevada das criaturas. A mulher, o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono; para a mulher fez um altar. O trono exalta e o altar santifica. O homem é o cérebro; a mulher, o coração. O cérebro produz a luz; o coração produz amor. A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é o génio; a mulher é o anjo. O génio é imensurável; o anjo é indefinível.
A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher é a virtude extrema. A glória promove a grandeza; a virtude promove a divindade.
O homem tem a supremacia; a mulher, a preferência. A supremacia significa a força; a preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão; a mulher, invencível pelas lágrimas. A razão convence e as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher, de todos os martírios. O heroísmo enobrece e o martírio purifica.
O homem pensa e a mulher sonha. Pensar é ter uma larva no cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é a águia que voa; a mulher, o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço e cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu.
Victor Hugo

Dia Internacional da Mulher

Aproxima-se mais um Dia Internacional da Mulher e com ele regressa a discussão entre aqueles que são peremptórios em afirmar que esta celebração é já um sinal de discriminação e aqueles que a aplaudem por nela verem uma oportunidade para reflectir sobre a situação de quem, aos flagelos sofridos pelo Homem, junta aqueles que decorrem da sua condição de Mulher.
Virá, assim, a propósito lembrar…



Objectivo 2015 - Juntos Podemos



Em Setembro de 2000, reuniram na ONU chefes de Estado e de Governo de 189 países, incluindo Portugal, tendo aí assinado a Declaração do Milénio. Foram então estabelecidos 8 Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) a atingir até 2015:
- Pobreza e Fome;
- Ensino Primário Universal;
- Igualdade de Género;
- Mortalidade Infantil;
- Saúde Materna;
- Doenças Graves;
- Sustentabilidade Ambiental;
- Parceria Global.
E porque a Igualdade de Género é um desses objectivos, sabia que…
- as mulheres contribuem com 2/3 das horas de trabalho a nível mundial e são responsáveis por metade da produção alimentar?
- as mulheres ganham apenas 10% do rendimento mundial?
- as mulheres detêm menos de 1% da propriedade?
- as mulheres representam a maioria da mão-de-obra agrícola a nível mundial?
- 60% das mulheres trabalham sem receber salários ou são mal pagas na economia informal?
- quase 2/3 dos iletrados adultos são mulheres?
- embora a representação política feminina tenha vindo a aumentar, esta representação a nível global é apenas de 17%?
- 500 mil mulheres morrem anualmente durante a gravidez, a maioria das quais a viver em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento?
- a probabilidade de morrer durante a gravidez é de 1 em 16 na África Subsariana, contra 1 em 3800 no mundo desenvolvido?
- devido a regras sociais que lhes negam acesso à saúde reprodutiva, as mulheres constituem mais de metade da população infectada pelo VIH/SIDA na África Subsariana?
- uma saúde e nutrição maternas deficientes estão na origem de pelo menos 20% das doenças das crianças com menos de cinco anos?


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Escrever + ... depois de Ler + ?

"Acho que fazia sentido, politicamente, desenvolver também um Plano Nacional de Escrita", declarou o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, na conferência de abertura da 10ª edição do encontro literário de expressão ibérica Correntes d'Escritas, que decorreu entre 11 e 14 de Fevereiro, na Póvoa de Varzim.
"O Plano Nacional de Leitura é um êxito e acho que talvez fosse possível fazer um Plano Nacional de Escrita, isto é, empenharmo-nos em também ensinar a escrever às pessoas que estão na primeira classe, na segunda classe, na terceira e na quarta classes e, depois, durante todo o secundário", acrescentou.
Afirmando ainda que "Tudo começa aqui, na escrita. É através da escrita que se guarda e conhece a história da humanidade", o ministro veio deste modo juntar a sua voz àquelas, e são muitas, que têm vindo a defender uma intervenção concertada no que à escrita diz respeito, já que queremos lei(escri)tores competentes.
"Quem lê e não sabe escrever é mudo."
Carlo Dossi

"É bom escrever porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão"
Cesare Pavese

"Um homem não pode bem escrever se não gostar um pouco de ler."
Clément Marot

"É a escrever mal que se aprende a escrever bem."
Samuel Johnson

"Escrever é lembrar-se. Mas ler é também lembrar-se. "
François Mauriac

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carnaval

Beleza e sobriedade
Imagens de um Carnaval vivido de forma diferente e a provarem que o Carnaval não tem de ser celebrado com vulgaridade e mau gosto.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

A dança do fogo

"Soy lo que bailo"
Maria Pagés
Maria Pagés, bailaora de flamenco reconhecida internacionalmente, integrou em 1995 a companhia irlandesa Riverdance com a qual correu mundo.
Aqui fica um dos mais belos momentos da sua actuação.



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Ler é poder

Um poema magnífico de Carlos Tê a que a voz de Rui Veloso deu o sentimento de todos aqueles que, não sabendo ler, "sentem o escuro dentro de si, se sentem pederneira, ficam sentados à soleira a ouvir os ruídos do mundo".
Já dizia o poeta "Há mais luz nas letras do alfabeto que em todas as estrelas do universo."

A gente não lê

Ai Senhor das Furnas
Que escuro vai dentro de nós,
Rezar o terço ao fim da tarde,
Só pr'a espantar a solidão,
E rogar a Deus que nos guarde,
Confiar-lhe o destino na mão.

Que adianta saber as marés,
Os frutos e as sementeiras,
Tratar por tu os ofícios,
Entender o suão e os animais,
Falar o dialecto da terra,
Conhecer-lhe o corpo pelos sinais.

E do resto entender mal,
Soletrar assinar de cruz,
Não ver os vultos furtivos,
Que nos tramam por trás da luz.

Ai senhor das furnas,
Que escuro vai dentro de nós,
A gente morre logo ao nascer,
Com os olhos rasos de lezíria,
De boca em boca passando o saber,
Com os provérbios que ficam na gíria.

De que nos vale esta pureza,
Sem ler fica-se pederneira,
Agita-se a solidão cá no fundo,
Fica-se sentado à soleira,
A ouvir os ruídos do mundo,
E a entendê-los à nossa maneira.

Carregar a superstição,
De ser pequeno ser ninguém
Mas não quebrar a tradição
Que dos nossos avós já vem.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

É Mia Couto!

Origatório ler!
(mesmo sabendo que estou a infringir o 1º direito inalienável do leitor, segundo Daniel Pennac)

Mia Couto: Perguntas à língua portuguesa
Venho brincar aqui no Português, a língua. Não aquela que outros embandeiram. Mas a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar e que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique. Que outros pretendam cavalgar o assunto para fins de cadeira e poleiro pouco me acarreta.
A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia. O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o vôo. Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida. E quantas são? Se a Vida tem, é idimensões? Assim, embarco nesse gozo de ver como a escrita e o mundo mutuamente se desobedecem.
Meu anjo da guarda, felizmente, nunca me guardou.
Uns nos acalentam: que nós estamos a sustentar maiores territórios da lusofonia. Nós estamos simplesmente ocupados a sermos. Outros nos acusam: nós estamos a desgastar a língua. Nos falta domínio, carecemos de técnica.
Ora qual é a nossa elegância? Nenhuma, excepto a de irmos ajeitando o pé a um novo chão. Ou estaremos convidando o chão ao molde do pé? Questões que dariam para muita conferência, papelosas comunicações. Mas nós, aqui na mais meridional esquina do Sul, estamos exercendo é a ciência de sobreviver. Nós estamos deitando molho sobre pouca farinha a ver se o milagre dos pães se repete na periferia do mundo, neste sulburbio.
No enquanto, defendemos o direito de não saber, o gosto de saborear ignorâncias. Entretanto, vamos criando uma língua apta para o futuro, veloz como a palmeira, que dança todas as brisas sem deslocar seu chão. Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas.
Esta obra de reinvenção não é operação exclusiva dos escritores e linguistas. Recriamos a língua na medida em que somos capazes de produzir um pensamento novo, um pensamento nosso. O idioma, afinal, o que é senão o ovo das galinhas de ouro?
Estamos, sim, amando o indomesticável, aderindo ao invisível, procurando os outros tempos deste tempo. Precisamos, sim, de senso incomum. Pois, das leis da língua, alguém sabe as certezas delas? Ponho as minhas irreticências. Veja-se, num sumário exemplo, perguntas que se podem colocar à língua:
Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?
No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?
A diferença entre um às no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?
O mato desconhecido é que é o anonimato?
O pequeno viaduto é um abreviaduto?
Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente?
Quem vive numa encruzilhada é um encruzilheu?
Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?
Tristeza do boi vem dele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?
O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?
Onde se esgotou a água se deve dizer: “aquabou”?
Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?
Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?
Mulher desdentada pode usar fio dental?
A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?
As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: “finanças”?
Um tufão pequeno: um tufinho?
O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?
Em águas doces alguém se pode salpicar?
Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?
Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?
Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?
Brincadeiras, brincriações. E é coisa que não se termina. Lembro a camponesa da Zambézia. Eu falo português corta-mato, dizia. Sim, isso que ela fazia é, afinal, trabalho de todos nós. Colocamos essoutro português - o nosso português - na travessia dos matos, fizemos que ele se descalçasse pelos atalhos da savana.
Nesse caminho lhe fomos somando colorações. Devolvemos cores que dela haviam sido desbotadas - o racionalismo trabalha que nem lixívia. Urge ainda adicionar-lhe músicas e enfeites, somar-lhe o volume da superstição e a graça da dança. É urgente recuperar brilhos antigos. Devolver a estrela ao planeta dormente.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

2009 - Ano Internacional da Astronomia

O Ano Internacional da Astronomia 2009, uma iniciativa a nível mundial, organizada em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, apresenta diversas actividades de indiscutível interesse, entre as quais:
* Exposição “Da Terra ao Universo”
* E agora eu sou Galileu
* Noite da Astronomia – noite das estrelas
* “Sidereus Nuncius”
* Kit do Astrónomo
* Série de Selos AIA2009
Tendo como público-alvo as escolas, merecem destaque:
* Palestras e sessões de observação em escolas
* Curso de Formação para Professores
* Concurso Astronomia Artística
Para mais informações:

A propósito, sabiam que…
* Se o Sol morresse de morte súbita, nós só o saberíamos 8 minutos e 15 segundos depois? Isto porque a luz leva esse tempo a chegar até nós.
* Estima-se que a nossa galáxia, a Via-Láctea, seja composta por aproximadamente 200 biliões de estrelas.
* As estrelas não ”piscam”. Nós vemos as estrelas a piscar por causa da turbulência da atmosfera terrestre que interfere na luz emitida por elas.
* “Planeta” em grego significa “errante”, “viajante”. Os gregos da Antiguidade denominaram estes corpos celestes de planetas porque os observavam "viajando" entre as estrelas “fixas”.
* Se o Sol fosse comparado a uma bola de basquete, Júpiter seria uma bola de golfe; Saturno, uma bolinha de ping-pong; Urano e Neptuno, berlindes; Plutão, seria menor que a metade da cabeça de um alfinete.
* Se morássemos em Neptuno, nunca faríamos anos, pois um ano é o tempo que o nosso planeta leva para dar a volta ao Sol, e Neptuno leva 165 anos terrestres para fazer essa trajectória.

Fiquem agora na companhia de Olavo Bilac.

Ouvir as estrelas
"Ora direis ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".